Semana de Cinema – O Capital
por Gabriel
em 01/02/14

Nota:

O Capital

O Capital é um filme cujo nome pode causar certa confusão. Sim, pois a obra em nada se refere ao livro de Karl Marx, da qual alguns rapidamente já lembrarão. Quer dizer, talvez você possa considerar que há referências entre as duas obras, mas não é uma tarefa simples.

No filme, rodado na França, vemos problemas de saúde interromperem a carreira do presidente de um grande banco francês, que no entanto permanece influente na corporação por trás das cortinas. Para o seu lugar, o presidente consegue nomear seu candidato favorito: Marc Tourneil, um ex-escritor que tem como maiores credenciais a sua frieza e sua habilidade para jogadas políticas.

Durante o longa, Tourneil se confronta com os desafios comuns ao presidente de uma multinacional, ao ter que lidar com os investidores, a opinião pública de seu país de origem, o governo e os funcionários da empresa. Tudo isso é mostrado de forma crua, principalmente a relação com os fundos que investem no banco, o que é um aspecto interessante do filme para aqueles que desconhecem essa dinâmica.

Este, no entanto, é um dos poucos pontos coerentes. Apesar de um roteiro bom, o filme usa em alguns momentos efeitos um tanto constrangedores (quando exibe as fantasias de Tourneil em tom totalmente caricato) e abusa da presença de Nassim, uma modelo que vira a vida do presidente de cabeça para baixo com extrema facilidade. Se alguém aí for presidente de um banco francês, por favor, conte-nos sua experiência; a princípio, porém, pareceu difícil acreditar em algumas das chantagens vindas de Nassim e na inocência com que Tourneil as aceitava.

O Capital é um filme razoável, mas peca em pontos cruciais; o filme dá a impressão de que não sabe se critica ou se ama o sistema atual e a forma como os bancos atuam. E, quando resolve criticar, quando parece que tomou uma posição, se sai com a péssima “vamos roubar dos pobres e entregar aos ricos”, dita em meio a um final que bem podia ser mais uma das fantasias do personagem principal, de tão constrangedor.

Trata-se de um bom filme para conhecer o tipo de coisa que acontece no topo de uma multinacional e o tipo de vida que leva um executivo absurdamente badalado como Tourneil. Não entrega, no entanto, a crítica que promete, deixando uma estranha impressão de estar em cima do muro.

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