Semana de Cinema – O Grande Ditador
por Patricia
em 21/11/12

Nota:

“Os pessimistas vão dizer que eu vou fracassar e que os ditadores não têm mais graça, que o mal é algo muito sério. Estão errados. Se existe uma coisa que eu sei é que o poder pode sempre ser ridicularizado. Quanto maior é o sujeito, maior é a força com que o riso vai lhe abater” [Chaplin – 1940]

Em o Grande Ditador – que muitos consideram sua obra-prima – Chaplin nos apresenta sua visão de Hitler e do nazismo. O filme por si só já seria memorável por ser seu primeiro  filme falado – algo com o qual ele relutou por muito tempo, Mas quando Carlitos falou, ele falou TUDO.

O filme começa com cenas da 1a Guerra em que a Tomânia perde. Apesar de mal saber o que faz ali, Carlitos auxilia um soldado a escapar – tornando-se um herói por acaso. Ele acaba em um hospital onde descobrimos que perdeu a memória. Ele não só não se lembra da Guerra como está alheio aos recentes acontecimentos de seu país que agora enfrenta uma forte recessão.

O partido de Hynkel chega ao poder e promete uma Tomânia renovada. As promessas fazem com que o povo – que passava fome – sinta-se amparado. O discurso inflamado de Hynkel, além de promessas de uma ressurreição militar, vem acompanhado de uma pitada de raiva pelos judeus.

Carlitos finalmente sai do hospital onde estava internado e tenta retomar sua vida na barbearia do gueto – é, Carlitos é judeu e ele não sabe que o país que ele defendeu na Guerra agora o despreza. Ao se envolver em uma briga com os soldados de Hynkel, ele acaba sendo ajudado por Hanna – uma judia que está farta de ser vítima. Quando está a ponto de ser enforcado na rua pelos soldados, o Comandante que ele ajudou aparece e recorda-se dele. Carlitos é salvo.

Enquanto isso, Hynkel  decide invadir um novo país mas não tem verba – afinal, Tomânia está falida. Surge uma opção – pedir o dinheiro emprestado a um famoso banqueiro…que é judeu. Começa um período de “paz” entre judeus e arianos até que  o banqueiro reclama da perseguição a seu povo e se recusa a emprestar o dinheiro. Hynkel decide, então, apertar o cerco aos judeus. Carlitos é preso e enviado a um campo de concentração. Como ainda não se sabia exatamente como esses campos eram operados, o campo que Chaplin desenhou parece um hotel perto do que sabemos ser a verdade.

Nesse meio tempo, temos uma das melhores cenas do cinema (é…eu disse): Hynkel brincando com um Globo inflável – metáfora perfeita de como Hitler via o mundo – como um mapa de War que estava à disposição para ser conquistado apesar de ser algo completamente impraticável.

Em uma confusão generalizada, Carlitos é confundido com Hynkel pois são sósias. Carlitos é enviado para a linha de frente para discursar para as tropas que comemoram a invasão de um novo país.

O discurso é mítico. Em sua autobiografia, Chaplin explica que esse discurso foi a maneira que ele encontrou de dizer tudo o que não podia dizer, na época, aos jornais. Não só por haver certa auto-censura e negação quanto ao nazismo mas porque ele via um mal intenso contaminando as pessoas de bem. Entregue olhando direto para a câmera, o discurso termina com “Soldados, em nome da democracia, uni-vos!” E aqui dá para ver na íntegra:

Link Direto O Grande Ditador

O filme estreou em 1940 nos Estados Unidos – quando a Europa já sabia das intenções de Hitler mas não se podia imaginar os horrores que se seguiriam. Chaplin viu nos discursos enfurecidos e odiosos o que o mundo se tornaria se a “raça pura ariana” conseguisse alcançar seus objetivos. Mais impressionante, o roteiro foi escrito em 1938, antes da Guerra oficialmente começar. Enquanto o mundo se aliava a Hilter acreditando que ele iria salvar a Alemanha, Chaplin já via os horrores que seriam impostos pelo futuro Ditador.

Visionário que era, Chaplin avisou o mundo do que estava acontecendo antes mesmo de acontecer totalmente. O filme é definitivamente uma obra prima que estava à frente de seu tempo em contexto e ainda está à frente do nosso em genialidade.

Postado em: Semana de Cinema
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3 Comentários em “Semana de Cinema – O Grande Ditador”


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Rafael Felipe Gati em 21.11.2012 às 07:44 Responder

Que discurso… que discurso.

Só de ouvi-lo já nos deixa inflamados. Ainda não assisti este filme, mas irei sanar isto logo. Será que é fácil encontrá-lo?

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Paty em 21.11.2012 às 08:12 Responder

Pois é…e olha que a maioria dos amigos dele não queria que ele colocasse esse discurso por ter medo do filme ser censurado. Mas vê o filme sim…vale a pena demais. =D
Então..a Folha lançou recentemente uma coleção de 20 filmes do Chaplin. O Grande Ditador foi o primeiro. Tem uns extras sensacionais. Dá uma olhada…talvez vc ainda encontre nas bancas. Se não, acredito que seja possível encontrar no site.

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Rafael Felipe Gati em 21.11.2012 às 13:08 Responder

Entendo o porquê de ficarem com medo, seria uma pena se fosse censurado…

E eu consegui o filme com uma amiga minha, irei pegar sexta feira com ela. =D


 

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