Semana De Cinema – O Homem Do Futuro
por Ragner
em 23/06/14

Nota:

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Minha primeira impressão sobre esse filme foi se seria possível uma ficção científica nacional que valesse a pena, que pudesse ser bom o bastante para não fazer feio perante um estilo que internacionalmente o cinema já está a anos luz de distância. Pode parecer idiotice da minha parte ter pensado isso, pode ser falta de confiança em nossos cineastras e atores, mas convenhamos, essa nunca foi nossa praia e estava mesmo com pé atrás.

Demorei a assistir esse filme, mas confesso que foi uma grata surpresa. Pode não ser o melhor filme nacional que já assisti, mas deixou de lado muito do meu receio que gostei deveras de como o roteiro e a ambientação foram construídos. Ainda não foi fantasticamente excelente, mas é um filme muito bom, pois conseguiu trabalhar bem questões de física quântica e viagens temporais. Falo isso como entendedor do assunto? Não. Falo mais como um entusiasta do meio. Um grande entusiasta.

 

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O filme começa já com um diálogo entre os protagonistas e uma predestinação, logo depois passa para uma das cenas em que seria o ponto que entrelaça todas as ocorrências espaço-temporais e em que os personagens estão cantando a música que mais amo da Legião Urbana – Tempo Perdido -. João “Zero” é um físico que leciona em uma faculdade e pesquisa uma nova forma de energia capaz de sustentar o mundo. Depois de fazer um teste (utilizando um acelerador de partículas e conceitos sobre buracos negros) no qual ele mesmo se serve de cobaia, Zero volta ao ano em que tudo na sua vida foi definitivo para seu futuro.

João amava uma garota que era popular e ele era um “zero” a esquerda (o filme também tem o lado comédia romântica). Nessa volta ele deu de cara com seu eu. Acreditando que toda sua vida no presente que conhece pode melhorar se ele fosse um camarada diferente do nerd tímido e atrapalhado que era, ele acaba interferindo nas suas ações do passado, o que gera oscilações condicionais e contextuais no futuro. Mas como já foi discutido e apresentado em muitos outros filmes, mexer no passado dá merda no futuro, as coisas tem que ser como devem ser e João tenta consertar a bagunça que criou, mas acaba piorando cada vez mais.

 

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A cena do Moura cantando Legião é emblemática. O especial que rolou na MTV com ele à frente da banda foi primoroso. Não me importei ou me incomodei com a desafinação, o que mais valeu foi a empolgação e o comprometimento dele cantando as músicas da banda que mais amei (amo) nacionalmente, e tudo começou ali, no filme. Bom acredito eu.

O filme é engraçado, emocionante, científico e nacional. Como todo bom filme brazuca, O Homem Do Futuro deixa claro o quando é brasileiro, com suas características cômicas e piadas que entendemos, com seus atores globais que o cinema tanto gosta de ostentar, com os limites tecnológicos que ainda não conseguimos evoluir mesmo depois de tantos anos melhorando os filmes que lançamos e toda a caracterização regionalista que estampamos, seja do nordeste ou do sudeste. O Homem Do Futuro é gostoso de assistir e vale a pena, mesmo com tudo isso que ressaltei aqui.

Postado em: Semana de Cinema
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