Semana de Cinema – Os edukadores
por Patricia
em 26/03/13

Nota:

edukators

Esse é um filme para todos aqueles que possuem um cantinho revolucionário. Seja uma idéia ali escondida de rebelião geral ou um livro do Che Guevara que adora e deixa atrás dos outros, uma petiçãozinha online que você assinou porque ficou indignado com algo que considera errado…enfim, algo que vai contra o sistema em que você vive.

A cena inicial dá o tom do filme: uma família feliz chega em sua mansão depois de uma viagem e descobre que alguém esteve ali. E não porque roubaram algo mas porque tudo está fora do lugar. Enquanto tentam entender o que pode ter acontecido, encontram um bilhete que diz “Seus dias de fartura estão contados”. Nos jornais, já se fala do grupo “os edukadores” que invadem as mansões da região e mudam todos os móveis de lugar.

Enquanto isso, vemos que na Alemanha estavam acontecendo diversas demonstrações anti-capitalistas em lojas de departamentos e afins. A população jovem começava a se revoltar contra um sistema que escravizava pessoas para que outras possam comprar coisas que não precisam a preços risíveis. E, nesse cenário, somos apresentados a Jules – que acaba de ser despejada por não conseguir pagar seu aluguel. Ela namora Peter que mora com Jan.

Jan é um idealista completo. Ele não acredita que um sistema possa permitir que uns tenham tanto enquanto outros tenham que viver com tão pouco. Quando Jules explica que não consegue pagar seu aluguel (há alguns anos ela se envolveu em um acidente de carro e, como foi sua culpa, a justiça a condenou a pagar o seguro da Mercedez que ela destruiu e agora ela está afundada em dívidas que chegam a 97.ooo euros); Jan nos estrega um discurso firme contra a “ética burguesa” e um sistema que exige que ela pague um carro que para o dono não significava mais do que uns centavos e, para ela, representa o fim de sua única fonte de renda para sobreviver.

Aos poucos, Jan e Jules vão se envolvendo e formando um bizarro triângulo amoroso. Peter não é tão inteligente quando Jan mas percebe o que está acontecendo. Jules descobre, então, que Jan e Peter são os Edukadores (e não, isso não é spoiler porque é contado quase no começo do filme). Eles entram na casa de pessoas muito ricas e mudam todos os móveis de lugar para tirar a sensação de segurança que o dinheiro traz. O que eles querem é que os ricos vivam no mesmo mundo de medo que os pobres ou aqueles que não podem comprar sofisticados sistemas de segurança. Aqueles que dependem da segurança pública e da boa vontade dos bandidos de escolherem outra casa para roubar.

Há uma reviravolta excelente na história e eles acabam sequestrando um milionário.  As conversas com esse milionário mostram muito mais do que uma geração revolucionária que existe hoje em uma Alemanha conservadora. Ele foi, em seu tempo, um jovem rebelde mas…casou, teve filhos e tudo virou uma bola de neve e, quando menos percebeu, estava votando no partido conservador. Aliás, você também deve conhecer alguém assim….alguém que viveu algum tempo sob a ditadura e hoje se recusa a aceitar que pobre não é pobre porque quer e tudo o mais. Alguém que passou para o outro lado.

De acordo com o milionário, isso é inevitável. É aqui que o debate fica mais acentuado entre as ideologias: há o argumento de que é muito fácil desejar que todos tenham um pouco se você sempre teve pouco e isso mudaria à medida que você trabalha para ter mais. As conquistas financeiras acabam influenciando suas políticas. Acho que essa é uma das melhores sequências do filme. Dá muito o que pensar.

As atuações são excelentes – destaque para Jan interpretado por Daniel Bruhl que já deu as caras em Hollywood também. O filme é uma aula de política no quesito “luta de classes” para quem se interessa pelo assunto. Ele debate o quanto a “célula revolucionária” consegue sobreviver em um sistema que a cerca e tenta destruí-la constantemente, afinal, “o que antes era subersivo, hoje se compra em lojas de departamento.

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