Semana de Cinema – Os homens que não amavam as mulheres (Versão Sueca X Americana)
por Patricia
em 25/08/14

Nota:

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O enredo de “Os homens que não amavam as mulheres” é bem conhecido e já passou pelo Poderoso com direito a resenha. Tudo gira em torno de Lisbeth Salander e Michael Blomkvist – ela uma hacker degenerada, ele um jornalista que acabou de sofrer o maior golpe de sua carreira. Seus caminhos vão se cruzar quando o velho Henrik Vanger decide investigar o suposto assassinato de sua sobrinha preferida 40 anos depois do ocorrido.

Salander é uma pária e age como um animal machucado – se isola de muito convívio social e a maneira como age e se veste gritam o tempo todo “não chegue muito perto”. Quebrada pelo sistema judiciário que a mantém sob tutela, ela vai experimentar o pior tipo de tortura (tanto física quanto emocional). Na versão sueca, Salander é interpretada por Noomi Rapace – que com o sucesso dos filmes no mundo de fãs da trilogia de Larson – foi para Hollywood e já atuou em Sherlock Holmes 2 e Prometheus. Com seu estilo gótico/hacker/underworld, Lisbeth exigiu que ambas as atrizes – tanto Rapace na Suécia quanto Rooney Mara na versão americana – tivessem que alterar consideravelmente sua aparência. Mara, dizem, chegou até mesmo a colocar de verdade os piercings que a personagem tem.

Enquanto Rapace nos apresenta uma Salander mais fechada e, de certa forma, até mais calma; Mara entregou uma mulher quebrada ainda que bem forte, totalmente arisca, recebendo, inclusive, uma indicação ao Oscar pelo papel. Nesse quesito, eu diria que a Salander de Hollywood é mais forte e misteriosa que a sueca.

Claro que Mara teve uma ajuda de peso. Ninguém menos que David Fincher (de Clube da Luta) dirigiu a versão norte-americana, ampliando o tom escuro e de submundo que o filme precisa (além de colocar uma trilha sonora totalmente alucinante. Só a abertura do filme já vale um beijo de agradecimento). A versão sueca funciona muito bem como filme de suspense, mas Fincher trás muito mais do que isso. Para mim, ele é o grande trunfo da versão americana.

É uma pena que Hollywood não tenha recebido o filme com muitos amores e é isso tem atrasado a decisão de filmar os próximos 2 – que aliás já saíram há algum tempo na Suécia e são realmente bons (ambos estão no netflix nesse momento). Nos Estados Unidos, houve certo alvoroço pelas fortes cenas de estupro que Fincher filmou com uma realidade um pouco assustadora. Com isso, o filme recebeu algumas críticas mais pesadas do que seria justo – considerando que a cena é bem similar ao que temos no livro.

O jornalista Blomkvist de ambas as versões me pareceram bem similares em estilo – diretos, objetivos, sem firulas (claro que um deles ser Daniel Craig não é nem um pouco ruim, mas vamos nos ater a atuações). Além de certa semelhança física, ambos os atores deram conta do recado.

O que não me agradou tanto assim, apesar de compreender os motivos, são as alterações no roteiro da versão americana. Não me pareciam extremamente necessárias porque a própria versão sueca prova que o enredo do livro por si só, funciona bem como roteiro.

No geral, eu gostei de ambas as versões por motivos diferentes. Enquanto a versão sueca é um thriller cheio de personagens interessantes e bem conduzido, a versão americana é um filme que prende com características mais puxadas para noir. No quesito atuações eu daria empate, mas acho a versão de Hollywood superior – até mesmo Robin Wright Penn com uma personagem menor está muito bem.

Para quem, como eu, gostou muito dos livros de Larson, comparar os dois filmes é uma maneira divertida de reviver a estória de Lisbeth – que é uma baita personagem feminina sob diversos ângulos. Ela expõe a hipocrisia da sociedade, nosso apego a tecnologias que podem ser nossas inimigas e uma atitude enorme de “f***-se” para o que qualquer um pensa. Uma diva. Nada menos. Merece dois filmes e uns 25 livros.

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