Semana de Cinema – Os miseráveis
por Poderoso
em 25/02/13

Nota:


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Os miseráveis está, claro, na boca do povo pela recepção crítica que recebeu na temporada de premiações desse ano.

A história começa 20 anos depois da Revolução Francesa que colocava a burguesia no poder destituindo o rei. Porém, um rei retorna ao poder e a Revolução que parecia ser uma faísca de mudança, dá alguns passos para trás. A cena em que Jean Valjean tem que levantar a bandeira francesa da lama é emblemática.

Valjean é libertado da prisão após 19 anos cumpridos por roubar um pedaço de pão (5 por roubar o pão e o resto por tentar fugir). Na “não tão renovada França” uma vez bandido, sempre bandido e Valjean se vê andando sem rumo em uma situação de condicional eterna. Entra, então, em uma Igreja onde repensa sua situação e seu futuro. Enquanto isso, a situação dos franceses trabalhadores é desesperadora – onde um dia em que se vive é, de fato, menos um dia para se viver.

Vajert é o capitão da prisão – um policial que tem como maior código de honra prender aqueles que ele acredita serem a escória da França. Ele faz da vida de Valjean um inferno e quando Valjean se torna prefeito – usando outro nome, claro – Vajert rapidamente descobre a verdade. Valjean se torna – ao se transformar no homem que quis ser – um fugitivo.

Fantine trabalha na fábrica de Valjean e tem uma filha – Cosette – que deve sustentar apesar de não ter condições de viver com a criança. Ela vende seu cabelo, dois dentes e seu corpo para garantir que sua filha tenha um sustento decente. Após seu primeiro trabalho “sujo” Fantine nos entrega a icônica I dreamed a dream. Que para mim (Ragner) teve um significado fabulosamente eloquente ao escutar dessa vez.

Cosette vive com um casal não muito recomendável. São donos de um bar e a mulher a faz de empregada, no melhor estilo “Cinderela”,  mas para Valjean, ela é a redenção.Aqui começa uma nova história com uma Cosette crescida em meio a uma França mais uma vez destruída e à beira de outra Revolução mas ainda há contas a se acertar.

Alguns aspectos que são trabalhados no filme, martelam em nossas cabeças sem qualquer cerimônia. Vamos acompanhando como o poder de alguns podem incitar injustiças, como existem pessoas que se acham perfeitas e que estão acima do bem e do mal. O renascer de Valjean quando percebe a oportunidade de redenção e como ele sustenta sua vida em função de ajudar ao próximo, mesmo que isso o coloque frente a frente com seu algoz, é emocionante. E  quando vislumbramos a capacidade de alguém que conheceu o inferno, ajudando e entendendo aqueles que sofrem, podemos conceber como certas mudanças atingem algumas pessoas.

O contexto histórico vai ensinando sobre ao anos após a Revolução Francesa. A revolução que deveria instaurar uma evolução na vida do povo francês, com o tempo vai escancarando o quanto despreparados muitas vezes estão aqueles que lutam por mudanças. O lema “Liberté, Éqalité, Fraternité” é ridicularizado. Depois que alguns atingem o poder, o resto passa a não importar mais…

Paty

A forma como os Miseráveis foi filmado – com os cantores cantando à medida que a cena corria, sem pré gravação, permitiu que as vozes falhassem quando os atores choravam e que seu desespero aparecesse claramente através de uma voz mais fraca. Isso pode, no entanto, incomodar nos momentos sem teor dramático.

I dreamed a dream de Anne Hathaway é de tirar o fôlego. É o alto do filme e, com certeza, a melhor atuação de sua carreira. São esses 5 minutos de música, muito provavelmente, que lhe renderam seu primeiro Oscar. Com muita justiça. Quando Valjean encontra Cosette em trapos, ele nos entrega uma continuação linda de I dreamed a dream…e é realmente inteligente colocá-lo no ritmo em continuação já que é aqui que a história de Fantine e Valjean se entrelaçam para sempre.

Essa é a música tema do filme por um motivo…é a metáfora perfeita para uma França que tentou sair do buraco e não conseguiu, uma país que sonhou um grande futuro mas que demorou mais para conseguir do que se imaginava. Os personagens de Os miseráveis passam por um vida cheia de tristeza em que parece que nada vai dar certo. No fim, para alguns é realmente tarde demais mas é impossível não pensar que só tem um jeito de saber o que o futuro nos reserva.

Atuar rimando não é para qualquer um. Como demonstrar respeito por uma autoridade que rima ao te dar uma bronca ou te ameaçar? Ainda assim, Os miseráveis consegue estar acima disso. A história é forte demais para que vozes quebradas ou desafinações (caso de Russell Crowe que definitivamente é melhor ator que cantor). Amanda Seyfried tem uma voz realmente cansativa. Mas, temos que ser justos, Victor Hugo criou uma história sem igual e essa versão cinematográfica faz jus a seu peso. Majestoso define!

Ragner

Fiquei relutante em alguns momentos em assistir ao filme. Não necessariamente por ser um musical, mas por ser um musical e aparentemente ser muito dramático e sem muita ação. Erro crasso que assumo logo após assistir as cenas iniciais.

A história já é conhecida, ainda não li o livro, mas tenho algum conhecimento sobre a trama. Equivocadamente, sem motivos concretos, imaginei que o filme poderia ser longamente monótono, mas o que pude perceber, foi um filme que faz muito o gênero que me agrada demais, mas que tenho assistido pouco. Dramas com enredo absurdamente enriquecedor.

As falas cantadas, as atuações ritmadas e toda a atmosfera acompanhada de um aspecto musical agiram de forma atraente ao meu ver. Esse aspecto, nesse filme, envolveu meu interesse sobre a história. Posso defender que a música serviu como um personagem a parte. um elemento a mais que é de fundamental importância nessa adaptação.

A atuação da Anne Hathaway merece aplausos acalorados (foi um belíssimo e extraordinário elemento com Mulher Gato e agora em um filme de um gênero completamente diferente, vai além do meu esperado). Hugh Jackman vai muito bem também, mas ainda o prefiro em filmes de ação, vê-lo como fugitivo é diferente, já que estou acostumado a assisti-lo como o protagonista que não teme nada, mas a honra e a fome de justiça e verdade permanecem. Russell Crowe consegue caracterizar convincentemente o vilão que abusa da lei e todo o resto do elenco contribui de forma linda para enfatizar a grandeza do filme.

Fiquei muito empolgado com todo o trabalho de caracterização, fotografia, atuação, roteiro… Não tem como não se emocionar com o filme.

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