Semana de cinema – Perdido em Marte
por Bruno Lisboa
em 26/10/15

Nota:

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Alien – 8º passageiro, Blade Runner, Gladiador, Thelma & Louise, Hannibal, American Gangster. O que todos estes filmes tem em comum? Quase nada. Ou tudo. Afinal estamos falando de Ridley Scott, um dos maiores e mais bem sucedidos diretores de todos os tempos.

Versátil como poucos de sua seara, Scott soube ao longo de sua vasta carreira transitar entre dramas, filmes de ação, suspense e ficção científica alcançado, na maioria dos casos. ótimos resultados, tanto na bilheteria quanto na qualidade artística. Felizmente Perdido em Marte faz parte deste seleto grupo.

Aproveitando da boa recepção no mercado cinematográfico de filmes espaciais (Gravidade Interestelar são exemplos recentes) em Perdido em Marte Scott retorna ao universo da ficção científica para abordar uma situação que hoje está cada vez mais próxima da nossa realidade: viagens espaciais a outros planetas.

No enredo temos Mark Watney (Matt Damon), astronauta, que acompanha uma expedição em Marte liderada por Melissa Lewis (Jessica Chastain). Logo nos minutos iniciais a situação de tensão é estabelecida quando uma forte tempestade varre o planeta, fazendo com que a missão seja abortada. Nesse entremeio de fuga Watney sofre grave acidente e é deixado para trás, pois foi dado como morto. A partir daí tal como em O náufrago, icônico filme de Robert Zemeckis, o longa trabalha a ótica da sobrevivência solitária já que de maneira insólita Mark sobrevive.

Enclausurado numa base Mark, sem se render ao desespero, começa a estudar formas de sobrevivência, devido a alimentação regrada e ao caráter incomunicável para com o planeta Terra de maneira inicial.

Sem se render a dramatizações excessivas ou a futuros apolitísticos, o roteiro de Drew Goddard, baseado em livro de Andy Weir, é calcado dentro de uma realidade possível a medida em que avança e propõem resoluções aceitáveis.

De maneira acertada Goddard imprime elementos de comicidade em momentos pontuais que funcionam como contraponto a tensão habitual de filmes desta seara. O uso da trilha sonora cumpre papel fundamental neste quesito.

Fugindo do mero exercício de ser pano de fundo, o uso das canções (calcada em hits da disco music em playlist idealizada pela personagem Lewis) não só gera momentos hilários (Watney odeia esse gênero musical) como também cumpre papel emocional, pois este é um dos poucos elos mantidos com o planeta natal.

Visualmente, Scott coloca em voga, mais uma vez, o que melhor sabe fazer. Utilizando sabiamente o recurso do 3D, o diretor explora em minúcias a noção de profundidade em planos abertos magníficos, colocando o espectador imerso em solo marciano.

No hall das atuações Damon brilha com o seu carisma. Por sua vez, o elenco de apoio formado por estrelas como Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniel e Chiwetel Ejiofor também fazem um ótimo trabalho.

Por fim, Perdido em Marte se consagra como um dos filmes do ano, graças ao seu olhar correto, carregado de otimismo e bom humor para com a humanidade.

Postado em: Semana de Cinema
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