Semana de Cinema – Privatizações: A Distopia do Capital
por Gabriel
em 01/08/15

Nota:

Privatizações: a distopia do capital é um documentário brasileiro do diretor Silvio Tendler, rodado em 2014. Através de depoimentos e imagens de arquivo, o documentário de aproximadamente uma hora tenta recapitular a história das privatizações que ocorreram no Brasil na década de 90 e criticar o processo.

Historicamente, nós brasileiros somos reconhecidos como tendo uma memória curta. Isso se acentua ainda mais quando falamos de política e sociedade, afinal não é muito difícil encontrar gente que se recorde da escalação de times famosos do futebol ou mesmo de detalhes do enredo de novelas que alcançaram sucesso nacional. Neste contexto, documentários como esse vêm bem a calhar.

O trabalho de produção do documentário é simples. Há transições animadas e bem feitas, inclusive usando tiras e charges da época; mas nada que realmente seja um atrativo do filme. O que vale aqui são os depoimentos de importantes professores do meio acadêmico brasileiro e representantes de entidades da sociedade civil, como o presidente da CUT ou João Pedro Stedile, o conhecido presidente do Movimento dos Sem Terra.

O filme assume uma postura extremamente crítica ao expediente das privatizações, adotado largamente pelos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. O mesmo expediente seria reutilizado de maneiras diferentes pelo governo de Dilma Rousseff, mas o escopo do documentário se restringe aos anos 90. As críticas advêm principalmente dos baixos valores praticados à época e das influências globais que levaram a isso, notadamente o neoliberalismo de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

O posicionamento do filme é bem claro, não deixando margens a respeito da opinião de 100% dos entrevistados sobre as privatizações feitas na época. Aqui, o objetivo não é contrapor opiniões divergentes; sim, solidificar um argumento contra o que foi feito e jogar as bases para uma discussão mais importante: qual o projeto de país que queremos.

Apesar de ser tão claramente direcionado, o filme tem pontos de muito valor. Em uma das falas, há uma crítica ao neoliberalismo real, em contrapartida ao utópico; em outra, há o discurso de Stedile em relação à necessidade de movimento das massas, dando uma pequena amostra do que é o marxismo. E em vários momentos são apresentados dados que comprovam os argumentos dados, dando ao filme também o caráter de informativo e não meramente um roteiro argumentativo.

Este pequeno documentário passa longe de ser brilhante, até por sua simplicidade; mas cumpre bem o que promete e argumenta com qualidade por seu ponto. Se você se interessa por política, pela história do Brasil ou mesmo por seu futuro, com certeza é recomendado.

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