Semana de Cinema – Sing Street
por Bruno Lisboa
em 22/11/16

Nota:

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“Sem a música, a vida seria uma erro”. A frase de Friedrich Nietzsche só comprova o real poder que a música exerce sobre as nossas vidas. Afinal é impossível passar pela experiência pela terra sem ser tocado e influenciado por ela.

Seu poder de influência e presença é tão grande que é impossível pensar qual área não foi afetada pela mesma. E talvez seja o cinema o estado da arte que melhor soube estabelecer este diálogo, pois conseguiu traduzir em imagens o real potencial da música, que vai além das letras e melodias. Nesse sentido o trabalho do diretor John Carney é um dos melhores neste quesito. Quem já viu Once (2007),  Mesmo se nada der certo (2014) sabe do que estou falando. Essencialmente, seus personagens são “gente como a gente” já que tem a música como fonte de sobrevivência. E Sing Street (2016).

Dirigido e roteirizado por Carney, em argumento baseado em sua própria experiência pessoal, Sing Street promove um olhar para os anos 80. Ambientando fidedignamente na Irlanda no ano de 1985, o longa aborda o árduo período que o país viveu devido a crise econômica e a falta de empregos.

No centro do enredo temos Conor “Cosmo” Lalor (Ferdia Walsh-Peelo), um jovem ambicioso e criativo que busca seguir a carreira de músico. Sua vida até então pacata, restrita ao lar junto aos seus pais e ao influente irmão, muda de figura a partir do momento em que muda de uma escola particular para uma pública com valores cristãos. E é a partir desta premissa que Carney consegue registrar um fidedigno retrato da era.

Carney trabalha o ambiente escolar de maneira clássica, pontuando que a mudança implicaria em significativas transformações na vida de Conor e é isto que acontece. Lá ele encontra seus companheiros de banda, a garota dos seus sonhos, sofreria com o bullying e com as restrições impostas por uma educação religiosa. A somatória destes itens serviriam como combustível para a realização de seus maiores sonhos.

A trilha sonora é composta por duas esferas: por um lado por hits da época de Duran Duran, The Cure, Joy Divison, A-ha e de outros composições autorais feitas exclusivamente para o filme. A primeira categoria é utilizada de maneira notável. Mais do que ser mero pano de fundo para as cenas, as canções aqui registram e pontuam não só a relação fraternal de Conor e seu irmão mais velho (Jack Reynor) como também mostram como as mesmas ajudariam ao protagonista alcançar o amadurecimento pessoal. O aprendizado adquirido a partir delas iria influenciar o seu fazer musical, que surge em várias cenas do filme, aliás registradas em fotografia impecável.

Sing Street talvez não seja tão inventivo, afinal o que temos aqui é o clássico filme “garoto encontra garota”. Porém diferente do olhar cômico para este período, como Hollywood gosta de trabalhar a exaustão, aqui o diretor aposta por outro caminho mais adocicado, sem se render a nostalgia barata, resultando num dos melhores filmes do ano.

Postado em: Semana de Cinema
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