Semana De Cinema – Sniper Americano
por Ragner
em 28/02/15

Nota:

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Ovelha, Lobo e Cão pastor, com isso explicado pelo pai do protagonista, já gostei mais do filme. De antemão comecei a assistir sem qualquer pré-conceito que pudesse restringir o filme como algo extremamente norte-americano. Sim, ele o é, mas quis interpretar o que assistia refletindo sobre o lado do atirador. Quais suas motivações, seus traumas e seguindo esse caminho que não me deixasse ser atingido em cheio pelo idealismo americano.

E sim, fui fisgado pela direção e história. Clint Eastwood é genial e Bradley Cooper é um ator fantástico. A forma que a narrativa vai sendo contada, como o enredo vai sendo conduzido, mesmo não sendo um filme de ação hollywoodano normal ou um blockbuster de aventura, para mim, tudo é muito bem construído e entregue, a quem assiste, como um filme de guerra que merece atenção.

 

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A cena inicial já mostra o atirador – Chris Kyle (Bradley Cooper)-, em sua primeira missão, tendo que decidir se salva seus compatriotas e amigos, ou se alveja uma criança e sua mãe. Antes mesmo do desfecho, somos levados ao passado, quando seu pai explica sobre ser um cão pastor, como ele entrou paras os SEALs, como atingiu o patamar de melhor atirador da marinha e como conheceu sua esposa. Tudo seguindo o fluxo, bem ordenado, até voltar a cena da mãe e filho e como foi sua primeira morte. Essa foi a primeira expedição.

Claro que há um enaltecimento do exército americano, como os soldados eram “patriotas” e honrados, mas fiz questão de deixar isso de lado, pois não há como nos enganar com isso. A guerra é imunda e heroísmo é uma questão de semântica. Outras expedições vão sendo mostradas, tudo pela ótica de Kyle e podemos acompanhar como ele ia vivendo mais a guerra do que sua vida pessoal, como o Iraque gritava aos seus sentidos e sua família era só mais uma pequena parte de um todo. Mas a personificação do cão protetor continuava, cada vez mais forte.

O filme pode muito bem garantir aquele ideal americano de que eles são os detentores da verdade, que o lado deles é o que merece atenção e lutam contra o mal, mas foquei minha atenção na história do atirador, mesmo ele sendo o assassino de mais de 160 pessoas durante a guerra, fazendo 4 expedições ao deserto e deixando sua família orfã dele durante muito tempo (mais de 1000 dias) e acreditando que seu único dever era defender sua pátria. Acreditei na dor que Kyle sentiu durante todo seu martírio durante e pós guerra e seu dilema moral escancarado quando em um velório de um “irmão”, todos estremeciam durante a saraivada de tiros e ele permanecia impassível e seu trauma psicológico enquanto “assistia” televisão com ele desligada, imaginando as cenas de guerra.

Esse ano foi um muito bom para filmes candidatos ao Oscar, alguns atores alcançaram patamares formidáveis e mesmo que Sniper não seja um vencedor oscarizado, vale muito a pena pelo contexto e todo o conjunto de atuação e enredo formatado nas poucas mais de 2 horas.

 

 

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