Semana de cinema – Steve Jobs
por Bruno Lisboa
em 25/01/16

Nota:

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Há uma linha tênue que divide a genialidade e a estupidez humana. Há também aqueles que conseguem transitar em somente uma das esferas. Em contrapartida existem aqueles que circulam livremente entre ambas. Este era Steve Jobs.

Como mentor e “maestro” (como se autoproclamava) Jobs foi capaz de criar, destruir e recriar a si mesmo e ao império da Apple Inc., companhia tecnológica responsável por inúmeros produtos na área de eletroeletrônicos (iPad, iPod, iPhone, iTunes…), responsável por mudar o mundo como conhecemos. Porém, sua inteligência, ambição e sua dolorosa experiência de vida tornaram-o um ser arrogante, ingrato, incapaz de aceitar qualquer coisa que não seja a seu modo. Este é cerne das ações representando em Steve Jobs.

Dirigido com a elegância e técnica habitual de Danny Boyle (127 horas, Quem quer ser um milionário, Transpoting) em Steve Jobs o diretor britânico coloca em exercício todo o seu conhecimento, criando uma estética visual acachapante, ora utilizando de projeções inesperadas, ora fazendo uso da linguagem do vídeo clipe em diversas cenas.

Diferente das cinebiografias tradicionais, o roteiro de Aaron Sorkin (Moneyball, A rede social), adaptado a partir do livro de Walter Isaacson, acertadamente foge do tradicionalismo ao não percorrer toda a vida de Jobs. Outro trunfo a ser elogiado é o fato da mesma passar longe do malfadado formato “chapa branca”.

No longa visualizamos Steve em três momentos distintos de sua carreira: a criação dos computadores Macintosh e Next (criados em 1984 e 1988, respectivamente), projetos que fracassaram comercialmente, e o sucesso conquistado com o seu retorno a Apple em 1998 com o lançamento da primeira edição do iMac.

Neste entremeio, sua vida pessoal é exposta em detalhes de maneira crua, direta, sem rodeios.. Seus problemas pessoais quanto a uma filha tida inicialmente como bastarda, a relação conturbada com funcionários e ex-colegas da Apple, a concorrência com a IBM (empresa de Bill Gates) e a falta de aptidão para lidar com pessoas surgem sem receios, demostrando a fragilidade de um homem que aprendeu conviver à duras penas.

Para representar esta figura pública, tão controversa, somente um grande ator poderia representá-lo tamanha responsabilidade. Desta feita, a atuação de Michael Fassbender corresponde as expectativas, captando em minúcias detalhes relativos a personalidade Steve Jobs, que poderia oscilar entre momentos pacíficos e explosivos num mero piscar de olhos. Sua presença na tela é marcante, memorável, mas conta também com atuações de peso de Kate Winslet (que interpreta Joana Hoffman, a ajudante de Jobs), Jeff Daniels (que vive o CEO da Aplle John Sculley) e Seth Rogen (que atua o amigo e co-fundador da Apple, Steve Wozniak).

Tal como um dos seus maiores ídolos (o cantor Bob Dylan) Steve Jobs é/foi uma figura contraditória, amada e odiada na mesma medida. Mas sua passagem meteórica pela terra (ele faleceu aos 56 anos vítima de câncer no pâncreas)  foi responsável por muitas mudanças sociais que até hoje reverberam, deixando um enorme legado a ser seguido. Steve Jobs, o filme, é retrato autêntico e a altura do homenageado.

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