Semana de Cinema – The flat (O apartamento)
por Patricia
em 23/09/13

Nota:

url1

A avó de Arnie morre e a família se encontra no apartamento da Senhora para a limpeza, decidir quem fica com o que, o que vai para o lixo, o que fica e etc. A Avó de Arnie era uma alemã que emigrou para Tel Aviv durante a 2a Guerra Mundial e lá viveu até sua morte e não fala hebraico. Ele diz que ir a seu apartamento quando criança, era como ver a Alemanha.

As coisas progridem bem, a família faz o que tem que ser feito e aí eles chegam na questão dos livros. O que fazer com livros tão velhos e alguns, acabados? Arnie traz um amigo para avaliar os livros e ver quais podem ser guardados e quais devem ir (ai, meu coração) para o lixo.

Arnie nos conta que sua avó sempre lhe dizia que ele havia herdado o amor aos livros de seu avô – a quem ele conheceu muito pouco. Ele percebe, então, que ninguém da família parece ter muita informação sobre o patriarca. Tudo o que sabem são suposições, não certezas.

Enquanto limpam os documentos antigos, eles encontram alguns jornais nazistas e não conseguem deduzir o que isso quer dizer. Arnie decide investigar. Ele descobre que seu avô foi um sionista fervoroso (os sionistas defendem a existência de um Estado nacional judeu propondo que todos os judeus do mundo reúnam – se em um único território. Um resumo simples para situar o tema). Acredita-se que os sionistas ajudaram os nazistas em alguns momentos a fim de forçar o êxodo dos judeus da Alemanha.

A trama esquenta quando Arnie descobre fotos de seus avôs em viagens com um casal alemão.

Unknown

Na Alemanha de Hitler, alguns nazistas especializaram-se  no que chamavam de “a questão judaica” onde aprendiam tudo o que era possível sobre os judeus de maneira a usar isso a seu favor (leia ‘expulsar os judeus da Alemanha). O que um neto judeu diria se soubesse que seus avós foram amigos pessoais de um desses nazistas? E mais, o que seria descobrir que esse nazista era do alto ranking do Reich de Hitler sendo responsável pelo “Departamento Judeu” – Leopold Von Mildenstein? (Já foi comprovado que Mildenstein trabalhou no departamento de propaganda nazista e foi uma das mentes por trás dos campos de concentração).

Quando encontra um número de telefone, Arnie decide tentar a sorte e encontra….a filha dos Mildensteins que o recebe calorosamente para lhe contar mais sobre o que sabia de seus avós e a amizade deles com seus pais. Os avós que Arnie mal conhecera, pareciam quase parte da família do barão nazista. Atordoado, Arnie tenta entender como seus avós judeus puderam manter contato com alemães no meio de tudo o que acontecia. A filha de Mildenstein parece totalmente alheia a quem foi seu pai de verdade. Chega a ser triste ver ela defender o pai como um mero jornalista e nada mais ou como um homem do Governo que foi mandado embora por “ter outras convicções” como se ele fosse um homem completamente íntegro e o problema fosse os outros.

Ele descobre que sua bisavó foi deportada para o gueto e já sabemos o que acontecia ali. A mãe de Arnie parece sofrer de um bloqueio intenso para aceitar o passado de sua família e, enquanto participa com Arnie das descobertas, ela emociona-se ao entender os acontecimentos que abaterem-se sobre sua família e que nunca foram sequer mencionados.

images

O filme é mais sobre a busca pelas origens e como lidar com algo que talvez não queremos encontrar. É um documentário que não é divertido mas também não é sensacionalista. Não tem momentos de choros apesar de ter alguns desconcertantes. É um ótimo documentário que mostra como as raízes nazistas chegaram tão fundo que nem mesmo se consegue entender o quanto afetaram as pessoas e continuam afetando-as até hoje. Afinal, o que você faria se descobrisse que sua família teve alguma ligação pró Terceiro Reich?

O documentário é filmado de uma maneira quase amadora: como se pudéssemos acompanhar Arnie em seus pensamentos. Nada parece que segue realmente um roteiro então sentimos que estamos descobrindo tudo à medida que Arnie descobre também. E, considerando o tema, talvez seja a maneira mais sincera de nos apresentar a trama.

O documentário está disponível o Netflix. E se você estiver com vontade de ler, a Eliane Brum fez um artigo ótimo sobre o livro que você encontra aqui. 😉

Postado em: Semana de Cinema
Tags:

Nenhum comentário em “Semana de Cinema – The flat (O apartamento)”


 

Comentar