Semana de Cinema – The invisible war
por Patricia
em 22/07/13

Nota:

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Respire fundo. Essa não é uma resenha de um filme agradável. Definitivamente não é o tipo ideal de documentário de guerra.

Na 2a Guerra Mundial, com a necessidade crescente de recursos para combate, as mulheres receberam oficialmente a benção para participares da Guerra como algo mais do que enfermeiras. Claro, já eram conhecidas histórias de mulheres que chegaram a usar trajes masculinos para lutar aqui e ali, mas vamos nos ater a decretos oficiais para a linha do tempo.

O filme começa nos situando nessas mudanças históricas com as propagandas militares que foram vinculadas na época. Corta para a primeira entrevistada dizendo com aquela voz leve que seu sonho desde sempre era fazer parte do exército. Ouvimos como diversas mulheres tomaram a decisão de se alistar e como isso mudou suas vidas. Em alguns minutos vemos a emoção que elas sentem por terem chegado onde poucas mulheres chegaram antes. É divertido….até se tornar trágico.

The-Invisible-War-movie

E aí entramos na questão principal: os abusos diários que essas mulheres sofreram. A camaradagem estabelecida no exército as excluía de maneira que tudo o que acontecia raramente era reportado para os altos escalões do comando. O primeiro relato já estabelece o clima:  Kori Cioca era a única mulher em seu batalhão e constantemente tinha que lidar com um superior que parecia ser apenas folgado. Um belo dia ele a estupra. Na sequência, todas as mulheres que contaram sua história de orgulho no começo, contam agora como foram estupradas por companheiros militares. Uma delas comenta que num período de 2 semanas foi estuprada cinco vezes. Outra contraiu doenças venéreas e engravidou.

Os documentaristas, claro, procuraram também as fontes oficiais para entender como esses crimes são apurados dentro do sistema militar – importante lembrar que os códigos militares são próprios e não são necessariamente iguais aos códigos civis. Um homem pode ser absolvido em um julgamento militar e considerado culpado em um julgamento civil, por exemplo. De fato, enquanto civis podem processar o Estado, militares não têm esse luxo.

Enquanto o Almirante conta como eles estão prontos para trabalhar com esse tipo de crime, o pai de uma das vítimas explica como os militares passaram um ano (!) procurando testemunhas par ao estupro da sua filha. Nesse caso, em específico, os militares disseram para a vítima que haviam perdido o kit estupro, as fotos e outras evidências. Nada poderia ser feito. Quando ela descobriu que era mentira, o prazo de apuração já havia passado.

Em outro caso, a mulher foi acusada de adultério. Ela não era casada. O estuprador era.

Ironia corte

Ficamos sabendo também que são sempre advogados homens que assumem os casos. E quer saber o que mais? Tem a história de um homem que passou pela mesma coisa na década de 70. E outros que passaram por isso nos anos seguintes. Então vemos que estupro é quase parte da cultura militar: o mais forte subjulgando quem ele acha ser o mais fraco. E raramente algo é feito sobre isso.

“Um muro de silêncio criado para proteger os culpados.”

As estatísticas que você vê durante o filme são mais do que deprimentes, são inaceitáveis. O documentário mostra como os casos foram aumentando, e não diminuindo, ao longo das décadas à medida que mais e mais mulheres entravam para a vida militar. Mostram também que o Governo de maneira extremamente reativa pediu explicações aos militares mas sempre fez muito pouco para cobrar atitudes firmes.

O documentário tem um ritmo acelerado e as histórias são pesadas. Não tem momentos divertidos aqui. Mas é um assunto que merece ser público, que merece ser debatido.

Você pode encontrar o documentário completo aqui, mas com legenda em espanhol.

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