Semana de Cinema – Trash: A Esperança vem do Lixo
por Gabriel
em 29/11/14

Nota:

Trash

Selton Mello e Wagner Moura. Martin Sheen e Rooney Mara. Trash é um filme que abusa dos nomes de atores mas confia mesmo em três protagonistas-mirins. Com a maioria de seus diálogos em português e locações no Rio de Janeiro, Trash se junta à um tanto extensa lista de longa-metragens que exploram a temática da pobreza brasileira, especialmente carioca.

O roteiro tem seus pontos a favor. Um homem em perigo (Wagner Moura) joga uma carteira no lixo. Esta carteira vai parar em um grande lixão a céu aberto, onde sobrevivem três garotos. Eles a descobrem e entram em linha de colisão com a polícia, representada por um investigador corrupto (Selton Mello) a mando de um deputado. E assim tem início uma perseguição que revela uma trama muito maior, que provocou a cena inicial e envolve políticos cariocas.

Alguns momentos no longa são realmente bem executados. A cena em que a polícia executa seu balé da tortura com um garoto no porta-malas, ao som de música clássica, enquanto o personagem de Selton Mello finge que nada acontece, é uma bela representante da escola de cenas de violência pela qual Kubrick tanto prezou em Laranja Mecânica. Outras cenas também contam com boas participações, principalmente dos garotos; mas aí o gênero utilizado começa a cansar, ao beber da mesma fonte já aproveitada por Cidade de Deus.

Há uma incômoda ingenuidade em algumas passagens, que atrapalha o entretenimento. Algumas tramas são resolvidas de forma absurda, com soluções que não teriam lugar em roteiros mais cuidadosos. As cenas em geral têm qualidade, mas por vezes me peguei pensando se uma novela da Globo, hoje, já não faria melhor algumas das tomadas. Não é, de fato, o melhor trabalho que já vi em cinema. Apesar disso, as cenas do lixão, principalmente, são bem interessantes. E a cena em que o padre (Martin Sheen) invade uma delegacia é muito bem executada.

O filme tem sucesso em provocar certa revolta pela ação policial, mas passa uma mensagem moralista também incômoda. Na esteira dos gritos anticorrupção dos últimos anos, uma obviedade que precisaria ser mais praticada do que falada, o filme se encerra com uma lista bem ingênua de nomes de empresas e organizações. Alguns são boas sacadas, outros soam estranhos. E o filme termina em uma apoteose de moralidade que simplesmente parece fora de lugar.

Trash é um filme que não chega a ser uma perda de tempo. Mas, quanto mais o tempo passa, mais me convenço que também não ganhei muito em ve-lo. É visualmente impactante, tem um roteiro diferente em muitos pontos, mas não garante seu lugar. Um filme fraco, no fim.

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