Semana de Cinema – Waiting for Superman
por Patricia
em 25/03/13

Nota:

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Lançado em 2010, Waiting for Superman (Esperando pelo Super Homem) trata de um dos assuntos mais sensíveis da política doméstica norte-americana atualmente: o sistema público de educação. Há muitos anos se fala do colapso da educação do país que já chegou a liderar rankings em ciência e matemática. O que aconteceu, então, para que os EUA ficassem para trás no mundo desenvolvido nesse quesito?

A resposta é algo que nós brasileiros já estamos acostumados: governantes desinteressados. Nos últimos vinte anos, os governos que se sucederam na Casa Branca sempre falaram de educação mas fizeram muito pouco. As prioridades sempre eram outras e, aos poucos, a educação pública se tornou tão precária que está quase tão ruim quanto a do 3o mundo.

O documentário começa com George Canada, educador criado no sul do Bronx e que se formou na prestigiada Harvard. Ao se formar, Canada se perguntava quão difícil seria reformar a educação pública dos EUA. Mal sabia ele que encontraria forças muito além de sua imaginação. Se o futuro de um país depende de uma população educada, o que isso diz das perspectivas norte americanas?

Aprendemos que há escolas que recebem 1200 alunos e, no final do ano, chegam a perder até 800 alunos que não conseguem acompanhar as aulas e simplesmente desistem. O diretor nos apresenta a estudantes jovens que tentam estudar mas, muitas vezes, o próprio sistema não permite. Não estamos falando apenas de escolas com poucas vaga e nem de professores que simplesmente não querem dar aula. Estamos falando de um sindicato de professores que exige garantias que os protejam enquanto ninguém está, de fato, preocupado com a qualidade do ensino.

O sindicato é colocado na linha de fogo. Claro, há bons professores. Mas também há professores ruins. Como o sindicato pode garantir emprego para ambos os tipos? Os professores das escolas públicas norte-americanas recebem “emprego vitalício” após apenas dois anos de profissão. Não existem renegociações e os governos cederam tornando ilegal – ou extremamente difícil – despedí-los. Dessa forma, protegem os empregos. Mas a questão central se mantém: como exigir mais de um professor que não quer ensinar e não pode ser mandado embora?

Essa é a tarefa de Michelle Rhee – também formada em Harvard. Ela foi chamada pelo Governador de Washington para reformar a escola pública local e se deparou com um sistema forte que estava pronto para se fechar e derrubar qualquer um que exigisse mudanças.

É nesse contexto que a idéia de Canada fez tanto sentido – ele organizou o que os americanos chamam de Charter School – uma escola pública com estrutura própria, professores não sindicalizados e sistema de mérito. Os alunos dessas escolas chegam a ter até 2 horas a mais de aula do que os demais alunos do sistema público. Eles têm tutores para deficiências específicas e o foco é a educação superior. Mas é tudo baseado na sorte. Por ter poucas vagas, os alunos são sorteados para serem admitidos, como em um bingo.

O título remete a um episódio da série de TV do super homem em que ele resgatava um ônibus escolar cheio de crianças. Canada tinha esse sonho e, aos poucos, está ajudando crianças da região do Harlem – uma das mais pobre de Nove Iorque – a se formarem e garantirem alguma perspectiva de emprego.

Um documentário emocionante que, como brasileiros, pode servir de inspiração para o que se pode fazer com apenas um pouco de interesse e pró-atividade. E nenhuma dependência dos governantes.

Postado em: Semana de Cinema
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