Terça De Quadrinhos – Lampião… Era o Cavalo do Tempo atrás da Besta da Vida
por Ragner
em 06/11/12

Nota:

A HQ começa com uma introdução, em texto, ligeiro, sobre o Cangaço, sobre a figura mítica de Lampião e sobre seu bando, com apresentação de alguns personagens célebres. Algo muito importante para posicionar desde o leitor já conhecedor do contexto, até mesmo aqueles de 1ª viagem.

A história já começa com um reboliço no meio da cidade com a exposição das cabeças de todos do bando de fora da lei que viviam ao lado de Virgulino (Lampião) e depois segue com uma “prosa” entre dois moradores, contando como foi que Lampião foi pego, seja por cansaço da vida que tinha, por traição, porque não tinha mais a proteção de Deus ou do “Tinhoso” – os habitantes do sertão tinham Lampião como um personagens de facetas, alguns o consideravam rei do cangaço, que ia acabar com o coronelismo e que agia como o Robin Hood (visão mais contemporânea, CLARO) e também existiam aqueles que o observava como um marginal que deveria ser exterminado e que era do mal -. A conversa entre esses dois amigos (enquanto os filhos de um estão brincando de cangaceiros entre eles e a mulher do mesmo oferece um ‘cafézim’ feito na hora) vai discutindo como Lampião foi pego de surpresa e como seus companheiros foram mortos pelos soldados. Depois da matança, os homens da “lei”, sustentados pela ganancia, saquearam os corpos já sem vida.

Uma coisa que é bem legal aqui é que o ilustrador parece mesclar algumas referencias regionais (a escrita é toda característica nordestina, para lermos com sotaque e entonação do povo do nordeste) com desenhos diferenciados, que vão alternando traços maduros com ilustrações mais infantis. Dependendo do momento da narrativa, quando acontece morte, correria, mostrando crianças e adultos, personagens caricatos até em situações mais banais podemos distinguir essa mudança, até mesmo quando no mesmo quadrinho, é representado tensão e inocência.

Na página final de desenhos, é escrita certa frase: “Nunca pensei qui na vida fosse perciso brigá. Apesar di tê intriga, gostava di trabaiá. Mais hoje sô cangacêro i infrentarei u balsêro intê alguém mi matá” – Lampião (pelo menos o quadrinho apresenta essa frase como sendo dele). Comparado com Antônio Conselheiro, o Comandante Virgulino (Lampião) é visto como alguém que se revoltou com o poder, poder esse que se aproveitava dos fracos e mais pobres no nordeste.

No final da HQ, podemos desfrutar de ilustrações de “Vilas, casas de taipa e taperas, a caatinga e o mandacarú (vegetação no serão nordestino), do povo, dos bichos, de cacarecos do matuto, dos utensílios do nordestino e do liforme (designação popular de uniforme) do Cangaceiro”, instruindo mais e mais o leitor à entender como era o sertão naquele tempo, como era a vida dos sertanejo.

O gibi serve muito para apresentar uma cultura histórica que nem sempre é bem trabalhada quando não faz parte da realidade dos dias atuais. Indico como material que pode levar o leitor a pesquisar mais, a se interessar mais.

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