Terça De Quadrinhos – Moby Dick
por Ragner
em 11/12/12

Nota:

Quando li “O Velho E O Mar” me veio a cabeça essa super aventura de Herman Melville, claro, talvez seja até meio óbvio, mas a história não é igual, mesmo que o contexto mereça comparações. Em O Velho E O Mar, um homem luta contra tudo para atingir seu objetivo, mas suas ações são nutridas por uma causa nobre, ao contrário de Moby Dick, onde a vingança segue como mote principal. A vingança de um homem, que não deseja mais nada além de vencer uma força da natureza que está acima de todas as suas forças.

A HQ favorece quem a lê, buscando simplificar e direcionar o entendimento dos fatos mais importantes e conduzir o leitor para um esclarecimento que, diversas vezes, o livro pode não conseguir. É fato que o livro permite imaginar várias situações e não limita a imagem que o leitor elabora, mas, quando o desenho está à nossa frente, essa tarefa pode ficar mais fácil, mesmo que em alguns casos, praticamente deixa claro a visão do ilustrador apenas.

A trama do livro, a história detalhada, todo o clima que o escritor tenta trabalhar, passa a ser vislumbrado pelas cores, traços e arte que o desenhista utiliza nos quadrinhos e isso pode ajudar à alguns leitores mais visuais. Mas isso não é o fato mais importante, longe disso. Mesmo que a hq seja observada como uma alternativa facilitadora, sendo muitas vezes, procurada por uma parcela que não prefira as “letras”, podemos entendê-la como outro caminho de arte, que expande o universo literário para outros meios (assim como acontece no cinema).

O enredo se inicia ao apresentar Ismael, que procura viver novas aventuras e encontrar emoções maiores do que sua vida tem lhe proporcionado até então. Chegando à uma estalagem, consegue vaga em um quarto que já possui um hospede, um “selvagem” que se torna seu melhor amigo. Após se conhecerem e conversarem, ambos decidem encarar uma viagem em um baleeiro e conseguem vaga em um bastante conhecido, principalmente pelo capitão, um homem misterioso, que vive de acordo com suas próprias razões e determinação. A viagem tem por objetivo encontrar a maior baleia cachalote que já se teve notícia: Moby Dick. E é dessa maneira que é contada a história, simples, direta e sem maiores rodeios e informações. O que é uma pena, mas serve bem ao propósito dos quadrinhos.

A Graphic Novel destaca os personagens Ismael e o amigo Queequeg, os marujos Starbuck e Stubb, oficiais do capitão Acab, que teve uma perna perdida ao enfrentar Moby Dick uma vez. As ilustrações são de grande nível, a arte merece ser mesmo admirada e a argumentação segue respeitosamente o fio condutor do romance em questão. Mas, mesmo não detalhando todas as linhas primorosamente escritas por Herman, vale a pena ser conferida.

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